Crise no setor cerâmico afeta economia da cidade

Para empresário Bruno Coracini, crise deve perdurar até o final do ano. Foto: Reportagem

Quem adentra as indústrias cerâmicas de Vargem Grande do Sul, pode perceber os pátios lotados de blocos de vedação, sinal que as vendas não estão conseguindo escoar os produtos. Com diminuição das vendas, produtos sobrando, o preço cai e a crise se instala no setor.
A reportagem da Gazeta de Vargem Grande entrevistou alguns empresários e visitou indústrias do polo cerâmico do município, em cujo sindicato, o Sicov, constam atualmente 16 cerâmicas filiadas. Um setor que vem diminuindo ao longo dos anos, uma vez que há algumas décadas chegou a ter 40 empresas em atividade, sendo um dos principais fomentadores da economia vargengrandense.
A crise atual afeta o desenvolvimento do comércio da cidade, pois há dispensa de mão de obra e diminuição da produção, com as empresas pagando menos impostos. Com isso, há menos dinheiro em circulação e menos contratação de serviços pelas indústrias cerâmicas.
Em junho de 2021, o jornal publicou uma matéria intitulada “Setor econômico da cidade vive bom momento econômico”, onde mostrou a recuperação das cerâmicas locais, um fato que vinha ocorrendo desde 2020, depois de amargar uma fase ruim que teve início em 2012 e impactou negativamente toda a atividade na cidade, com dispensa de funcionários e fechamento de cerâmicas.
Esse boom das atividades cerâmicas foi até início de 2022, depois a situação começou a piorar, com as vendas caindo, os preços dos insumos e serviços aumentando para os empresários e os valores dos produtos cerâmicos diminuindo, deixando muitas cerâmicas da cidade trabalhando no vermelho.
O jornal apurou que o bloquinho de cerâmica que chegou a ser vendido por até R$ 750,00 na pandemia, hoje está sendo vendido por volta de R$ 500,00 a R$ 600,00 nas cerâmicas, o que demonstra o quanto estão perdendo os produtores. Hoje o preço ideal para quem produz, seria em torno de R$ 800,00 o milheiro do bloquinho 11,5x14x24, segundo comentou um industrial ao jornal.
Os produtos do polo cerâmico de Vargem são comercializados na sua maioria na região de Ribeirão Preto e entorno como Franca e Bebedouro, além do Sul de Minas. São na sua maioria blocos de vedação, como o popular tijolinho baiano, que são usados para construir desde casas populares, até casas de alto nível, prédios e barracões.

Empresário aproveitou e investiu na sua indústria
Bruno Coracini, 36 anos, é da nova geração de empresários que estão assumindo o comando das cerâmicas de Vargem. Engenheiro mecânico, é a terceira geração da família no ramo. Seu avô Libânio Coracini, fundou a Cerâmica Santa Maria que fabricava telhas e se localizava na Av. Dom Thomaz Vaquero, caminho da represa do Rio Verde e seu pai, Libânio Coracini Filho criou a Cerâmica SP que produz blocos de vedação, que Bruno passou a administrar. Presente na indústria desde 2012, Bruno relata que até 2021 o setor estava aquecido. “O mercado cresceu muito durante o início da pandemia, as vendas explodiram e os preços dos nossos materiais também subiram muito. Essa fase boa perdurou até o início de 2022, depois a situação inverteu”, comentou ao jornal.
Foi nessa época que Bruno, como a maioria dos ceramistas de Vargem, aproveitou para investir em tecnologia, novos barracões, reformas, compras de novos maquinários e modernização da empresa. “Vínhamos investindo bastante, agora estamos aguardando o mercado aquecer”, explicou.
Dentre os investimentos que vinha realizando há tempos em sua fábrica, Bruno citou que mudou os antigos fornos para fornos móveis e metálicos, tudo automatizado e usando cavaco de madeira na queima. “Se não houvéssemos feito os investimentos, a situação seria bem mais complicada hoje”, ponderou.
Sobre a crise atual, Bruno afirmou que o mercado deu uma boa diminuída, o custo de produção subiu muito e o preço dos blocos cerâmicos caíram bastante, com a diminuição da demanda. “Hoje vivemos uma situação complicada, tem muita oferta no mercado, derrubando cada vez mais os preços”, explicou.
Para fazer frente à atual crise, o empresário afirmou que diminuiu tanto a produção, quanto o quadro de funcionários em 30%, mesmo assim, hoje a Cerâmica SP continua sendo uma das maiores produtoras de blocos do município.

Crise deve perdurar até o final do ano
No entender do empresário, este ano ainda vai continuar difícil para o setor cerâmico. “As taxas de juros estão altas, o dinheiro fica aplicado no mercado financeiro, a economia fica parada e ninguém investe em construção”, afirmou Bruno, para quem o melhor é ficar quieto, esperar e aguardar o próximo ano.
Sobre programas do governo como o Minha Casa Minha Vida para alavancar o mercado da construção civil, Bruno foi meio cético e afirmou que eles ajudam a melhorar o mercado, mas com o alto custo da construção civil, as pessoas não estariam em condições de fazer os financiamentos que necessitam, principalmente por causa da alta de juros.

Fotos: Reportagem

Aproveitando o boom do mercado durante a pandemia, o empresário Bruno Coracini investiu em novos escritórios para a empresa

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